sábado, 14 de maio de 2011

Outro devaneio.

"Feliz Aniversário, meu amor!
Você sabe que enquanto eu respirar vou amar você, então não se esqueça disso. 19 de Julho, mais um de muitos que passarei ao seu lado."

Essa noite eu me deixei cair no sofá, apoiei a cabeça em uma almofada e liguei o som. Então encontrei esse cartão com desenhos de flores e balões, escrito por você, ano passado. Enquanto os meus pensamentos corriam de lá pra cá, eu me prendia à observar a lareira. Tantas noites se passaram e a minha vida se tornou rotina, eu chego do trabalho vendo as pessoas passarem como vultos, de alguma forma, estou sempre só. Exceto quando te sinto aqui.
Desde que você foi embora, eu tento lutar contra essa saudade. Ontem eu dirigi sem rumo pela cidade à noite. Talvez, 120km/h fossem apagar as minhas memórias, mas ali, bem ao meu lado, senti a sua presença e quando me virei pra ver pude te ouvir gritar pra tomar cuidado com o caminhão que vinha em minha direção. Eu desviei logo, mas quando olhei, não te encontrei, doeu muito. Eu estava mais uma vez, sozinha na chuva. Talvez eu realmente tenha enlouquecido, ou seja só o gole de whisky que me deixou um pouco tonta. Queria que você pudesse me ver agora, abraçando o urso de pelúcia que você me deu junto ao cartão, feito uma criança assustada. Como se isso fosse acabar com a falta que você faz. Tolice!
Saudade dói e dói muito, se você soubesse... Eu faria qualquer coisa por um abraço teu agora. Não é que eu queira você, é que eu preciso de você. [...]

Nós sonhávamos em ter uma casa com lareira, hoje eu tenho isso. Mas que diferença faz se você não está aqui pra me abraçar? Eu realizei quase tudo o que planejamos, mas pra mim não faz sentido viver sozinha os sonhos que você colocou em mim. Eu queimei as tuas fotos nessa mesma lareira, porque todos me diziam pra esquecer e seguir em frente, mas queimar suas fotos é como queimar minh'alma. Eu não esqueci, é que na verdade eu vou amar você pra sempre mesmo. Já até aceitei isso. [...]

Outro gole de whisky, seu rosto me parece triste. Tudo está tão turvo! Cadê o teu sorriso? Eu preciso dele. Preciso de você pra me carregar pra casa, igual fazíamos antigamente. Você bêbado me carregando bêbada, nós dois cantando e rindo sem motivo algum.
Senti uma pontada no peito, vai passar. Eu tenho a impressão de que esse cartão tá me encarando, como quem quer dizer algo. Talvez seja mais uma lembrança sua que eu deva apagar. Eu preciso dizer: aprendi que tudo na vida tem cura, menos o amor. Olha, a fogueira tá quase apagando. Preciso aquecer meu corpo, então o cartão vai para a lareira, tá? Vai doer em mim, destruí todas as tuas lembranças, mas aqui dentro, tudo continua vivo, e em qualquer lugar, você há de saber.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sobre o amor.


Sabe aquela coisa de ficar feliz só por sentir alguém em especial respirando? Quando duas pessoas cantam juntas qualquer música aos berros, quando querem cuidar um do outro e tudo sem destruir a liberdade e o respeito [...] Então, você se pega sorrindo automaticamente ao ouvir aquele nome ou quando lembra de algo. É puro, acho que o amor é exatamente isso.

Ao sol.


Às vezes a vida parece enredo de filme. Tem aquele momento de ter que mudar seu rumo, sentir uma lágrima no rosto e saber que o dia está nascendo enquanto a música toca alto no fundo, seguindo o ritmo dos teus passos.
É quase isso, vez ou outra, aparece um sorriso bobo e passageiro, mas a vida continua, mesmo quando os créditos rolam no final.
Deslizes demais, quedas demais... Não sei se estava tudo isso no script, mas agora faz parte do filme.

Quase música, quase poema, quase crônica.

Ah, doce inércia de existir! Por todos os lados que olho, não vejo por onde escapar e nem um bom caminho pra seguir, tudo se perdeu.
Enquanto memórias amargas embalam a dor, sinto o toque frio da morte e o corte da saudade. É a falta, é o fim de tudo.
Te lembras da tua inocência de criança? Acreditavas que podia salvar o mundo. E agora? Não podes salvar a ti mesmo, quanto mais um lugar tão obscuro.
É que nossa culpa amarga a alma, nosso riso se fez luto.
Tristes passos por esperar um futuro tão incerto!
Com o que sonhar agora? Já que o arrependimento nos tragou de forma tão brusca...
Deixe-me à beira do mar ouvir o sussurro calmo do vento como consolo pela fúria das ondas. Sinto-me tonta, preciso descansar.

Uma certeza e vários "talvez".


Ela era alguém que caminhava sozinha pelas ruas às seis da manhã. Alguém que vive a música e ama com intensidade. Ela é alguém que viu amores perdidos, sonhos esquecidos e refez os planos milhares de vezes. Era simples esconder uma lágrima com um sorriso, era a forma sutil de dizer que estava tudo bem e continuar seguindo, porque mesmo de asas quebradas precisava continuar voando.
Talvez ninguém tenha a conhecido de verdade, porque seu coração é uma caixa de segredos que pulsa seguindo as batidas da música. Talvez um dia ela te surpreenda nessa longa jornada, mas por enquanto, continua caminhando.