terça-feira, 18 de setembro de 2012

Querido diário,

Quando eu tinha cinco anos, costumava ir ao supermercado com meus pais. Nessa época era frequente existir nos supermercados o "espaço criança", onde os pais deixavam os filhos para fazer compras com mais comodidade. Devo confessar: eu odiava ficar no "espaço criança" tanto quanto odiei meu primeiro dia de aula na pré-escola. Era aquela sensação de estar completamente abandonada em um lugar cheio de desconhecidos e não saber quando alguém me tiraria de lá.
Quase quinze anos se passaram, mas o sentimento ainda é o mesmo. O medo bobo e infantil cresceu junto comigo. Todos os dias tenho acordado indagando o motivo de ter amanhecido outra vez. Fase? Talvez seja, eu penso. Crise existencial? Não sei. E as madrugadas? Nas madrugadas de insônia, sinto uma profunda frustração por não saber fazer chá. Isso até tem explicação. Sempre que eu tinha uma crise nervosa ou chorava descontroladamente, minha mãe fazia chá, me ouvia desabafar, me dava colo, até que eu dormia. Era uma boa terapia...

Hoje tentei abrir um livro, sair desse mundo, ir pra qualquer lugar irreal que aparentasse ser melhor do que aqui, porém fracassei. Tentei fazer chá, mas tive vontade de arremessar a xícara o mais longe possível no primeiro gole. Não consegui conter as lágrimas, mas não tinha colo.

No fim, sou eu, a caneta, um caderno velho e a solidão contando histórias.
No fim, só durmo quando sou vencida pelo cansaço.
Muito descontrole pra pouca força.
Muito desafio pra pouca fé.