terça-feira, 6 de novembro de 2012

Pequenos pontos.

“Luna, você já colocou as roupas no varal?” “Ei, garota, vá pro seu quarto.” “Luna, lamento, mas você não vai sair hoje” “Já estudou para as provas?” “Você não serve pra nada mesmo.” Eram sempre os mesmos chavões, até estava acostumada. O que me encanta, é que Luna era daquele tipo de menina que reduz a velocidade dos passos quando uma tempestade começa, pelo puro prazer de sentir o vento soprar em seus cabelos molhados ou o cheiro de chuva que exala pelas ruas. Era instável, incerta, impulsiva. E um dia, assim, sem mais nem menos, calçou seu par de tênis favorito, se enfiou em um moletom, jogou a mochila nas costas e partiu. Sem ninguém saber o paradeiro, sem notícias, sem certeza sobre voltar ou não. Não comentara com os amigos sobre sua fuga repentina. Nem mesmo um único bilhete deixou. Apenas foi. Deixou-se ser carregada pela vida, como uma folha sobre a correnteza das águas. Acredito eu, que ela estava por aí tentando redescobrir a sensação de voar, semelhante a um pássaro criado em gaiola que é solto pela primeira vez.