segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Desaparecer


Do alto, a vista de outros prédios, dos postes de iluminação, dos carros cruzando as avenidas e de algumas poucas estrelas que soavam quase apagadas para mim. Varanda fresca. Pijamas. Café quente. O clichê de sempre.
Um trago, um passo. Um trago, um passo. Cada vez que eu tragava o cigarro, seu tamanho diminuía. Cada vez que a vida tragava meus sonhos e planos, a minha fé diminuía. Traguei pouco a pouco, deslumbrei-me com a fumaça que dissipava-se no ar, afinal, que outra graça há em um cigarro se não assoprar a fumaça e observá-la dançar? Como já esperado, no fim da brincadeira o que sobraria seria um punhado de cinzas. É o que acontece com a maioria das coisas, elas vão minguando até desaparecerem por completo. Até conhecerem o seu próprio fim. 
Naquele momento assemelhei-me ao cigarro que estivera preso entre meus dedos. Senti que a vida, a rotina, o cansaço, as pessoas, o silêncio, o tumulto, a dor e todas as outras ocasiões cotidianas tragavam-me aos poucos, encurtando as minhas forças para que um dia eu tenha o mesmo destino, tornando-me apenas um punhado de cinzas espalhadas pelo vento, sem um motivo nobre para existir. Tendo como explicação a única lei certa da vida: que um dia ela acaba.