domingo, 30 de janeiro de 2011

Carta de Scarllet.

Segunda-feira, 23 de Novembro de 1998, Porto Alegre - RS.

Meu querido Thiago,

Hoje estou lhe escrevendo só pra lembrar o quanto eu sinto a sua falta. Fiquei ansiosa pra receber uma carta sua, mas ainda não chegou carta alguma. Em Setembro foi o nosso aniversário de três anos juntos, você esqueceu. Tudo bem meu amor, eu entendo que o seu trabalho tome muito tempo, eu sei que você faz isso pro nosso bem.
Quando eu fiz dezoito anos, resolvemos nos casar. Sempre foi nosso sonho, lembra disso? Éramos tão felizes! Eu acreditava que nunca mais ficaríamos distantes, e hoje aí está você, trabalhando fora daqui. Eu lembro com exatidão daquele dia de chuva, quando você se foi. Você me beijou e prometeu me amar cada dia da sua vida. Você acariciou a minha barriga, e disse que voltaria logo pra ajudar a criar o nosso bebê. É uma pena você nunca ter visto o rostinho lindo dele de perto. Eu mostro as suas fotos pra ele falando quem é o papai, e ele sorri.
Falando nele, hoje o Diego faz um ano. O primeiro aninho de vida do nosso filho, eu gostaria que você estivesse aqui. Não sei bem como comemorar, ele ainda é pequeno demais pra entender o que é distância e saudade, mas de alguma forma ele sente isso. Eu sei que sente, porque as vezes ele fica sentado na nossa cama olhando pra sua foto na estante, com os olhinhos vidrados as vezes parece triste. Eu o abraço e encho de beijos, dou a ele todo o amor que posso, mas ele sente falta, a sua falta.
Há quase dois anos eu não te vejo. Eu sinto falta dos seus abraços. Sinto falta das coisas que faríamos juntos, Thiago. Sinto falta de ter você pra levar nosso filho ao parque, pra ensiná-lo a gostar de futebol. Lembro das suas palavras antes de partir: "Logo eu vou ver esse guri nascer, meu campeão!"
De alguma forma na hora em que o Diego nasceu, você esteve lá, mesmo de longe eu te senti ao meu lado. Ele é o presente mais bonito que você podia ter me dado. É a lembrança mais linda que tenho de você, porque ele é a sua cara. É um pedaço nosso. É o meu principezinho, é tudo pra mim. Um dia desses eu comecei a pensar no passado e quando quase chorava de saudade, vi aquele pedacinho de gente vindo em minha direção, meu amor, nosso filho já deu os primeiros passos. Eu queria que você estivesse aqui pra ver.
Mas tudo bem, eu sei que você vai voltar. Eu fico aqui sentada perto da janela olhando o Diego brincar e esperando o momento em que verei você entrar por aquele portão e nos abraçar.
Eu sei que é pra sempre.


Com amor, sua Scarllet.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O nosso "adeus"?


Você sempre foi lindo, absurdamente lindo. Oh meu amor, que falta você me faz! Machuca saber a forma como você está mesmo tendo sofrido tanto quando você decidiu me deixar. Eu não entendo o porquê a vida insiste em te ferir tanto. Eu odeio de todas as formas o seu sofrimento.
Preciso ser sincera comigo mesma, eu ainda sinto a sua falta. Eu digo que não a maioria do tempo, mas eu penso estar enlouquecendo quando te sinto aqui.
Sinto falta da sua voz rouca acordando, do seu inglês engraçado, e de todas as canções que você dedicava a mim. Sinto falta do seu jeito de menino aprendendo a ser homem, e sofrendo com as responsabilidades e cobranças da vida, mas mesmo assim, levando tudo como pode, sem ter pra onde fugir. Sinto falta de ouvir você dizer que me ama, e que tudo iria ficar bem, de acordar te esperando chegar e contar os dias pra te ver, sabendo que no fundo, você nunca viria.
E “nós”? O “nós” não existe mais. Nós morremos tão jovens, tanta vida jogada fora em tão pouco tempo!
O que nos resta é o silêncio, e as gotas frias de chuva que toca nossos lábios sem cor antes que joguem flores sobre nossos corpos, nos enterrem e, aplaudam. O pra sempre só existe assim, na morte.

Sei lá...



Hoje você é um fantasma que às vezes volta e assombra a minha mente. É como algodão doce embebido em veneno, como um livro inacabado, mas que certamente teria um fim trágico. É como um pequeno lago de água gelada. É um código indecifrável. Uma triste canção infindável, cheia de agudos cortantes e ásperos tons graves. Eu não posso entender... Por que vendeste a tua alma por tão pouco? Em que rumo o teu sorriso se perdeu? Você costumava ver a vida com paixão, e o teu olhar era repleto de inocência, mas hoje, o vejo partido como louça fina que cai por acidente e se quebra. Eu nunca compreendi a tua mente conturbada. Talvez as migalhas de amor dentro de ti, se encontrem com a tua frieza e loucura. E assim juntem-se num beijo desesperado de saudade.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Liberdade.




Se precisa ir, vá. Não seja um pássaro triste na gaiola.
Vá voar, conhecer a vida, conhecer a si mesmo.
Voe alto, sem medo de se perder, sinta o vento em seu rosto e aprecie toda a liberdade.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Desabafo anônimo... Ou não.


Desde o final de setembro tudo mudou muito. As coisas ficaram mais difíceis e tomaram uma proporção muito maior que me deixou perdida.
Eu acho que estava bem, apesar de estar sem uma base eu conseguia manter a força e continuar de pé. Mas foi só vir um vento e tudo desabou. Não devo depositar a culpa em algo quando na verdade eu me deixei cair.
Outubro... tristes lembranças de uma primavera sem flores. Eu andava dispersa e quando me dei conta já havia me apaixonado. Só eu sei o quanto pareceu real pra mim, porque de alguma forma os sonhos dentro de você são uma realidade incontestável, e como dizer que algo capaz de mudá-los não é real? Ao menos da minha parte foi.
Eu me sentia tão segura! Tudo parecia certo, estava planejado, eu acreditava. Acreditar em nós era acreditar na vida. Sempre acreditei em nós, sempre coloquei minhas forças nele e em nosso belo futuro. Qualquer problema era fácil de resolver desde que estivéssemos juntos. Não havia tempestade ou tempo difícil, só existia amor. Era o que de fato importava, mas houveram alguns erros de cálculo e o resultado foi fatal. Pode-se dizer que por sorte as coisas permaneceram, ou ao menos os vestígios delas. E aí eu passei a viver com o que restou de mim.
Em setembro já havia começado uma guerra que me deixaria vulnerável a ponto de me apaixonar no mês seguinte. É difícil continuar sorrindo quando a sua casa parece um campo de batalhas. É difícil tocar as feridas mesmo que seja pra fazer curativos.

Novembro... Mês de tentar descobrir que o sol continuava a brilhar mesmo com tanta chuva.
Junto com dezembro foram os cortes, o sangue, o álcool, a dor. Drogas e beijos perdidos. Rápida alegria escondida na angustia. Dezembro era mesmo o fim, o mais perto da morte.

Agora é janeiro, você só se dá conta quem sobreviveu quando o meio do mês chega e você conseguiu afogar os erros. Talvez você precise de um perda, do silêncio, da solidão ou só do tempo, mas é gratificante ver que a vida continua e que ainda existem chances.

É passageiro, deixa pra lá.


Não sinto vontade de escrever agora, mas preciso escrever, porque algo está me sufocando. Droga, droga de tristeza! Maldita dor que vem sem explicação. Talvez isso aconteça porque eu procuro a tristeza, talvez ela nem apareça sozinha. Por quê? Por que eu insisto em me magoar? Estupidez? Acho que é involuntário.
Eu ainda sou humana... Não sou? Agora me encontro sentada à beira do mar, sobre a areia clara e umida, acho que sou a única aqui, porque quando olho à minha volta, não vejo ninguém. Só a brisa que parece me tocar o rosto com ternura, com piedade. O vento é a minha única companhia agora. O som do mar é uma sinfonia, a sinfonia dos corações frustrados. A sinfonia daqueles que vivem de coração aberto e, que acabam sofrendo por isso. É a melodia feita de lágrimas no lugar de notas, e talvez seja desse jeito que o mar é formado, de lágrimas. Talvez a vida seja um grande talvez.

Hoje eu me sinto como uma estrela que se apaga. Eu ouço o piano, e as notas me parecem lágrimas. Eu me encontro dirigindo em alta velocidade em uma estrada escura no meio da noite, talvez pra tentar esquecer tudo. Esta dor passageira que parece ser eterna me deixa destruída. Eu sinto vontade de questionar a vida, de buscar respostas, mas sou demasiadamente covarde para isso. Agora eu me sinto tão perdida, tão só.. Está frio... e.. escuro... eu sou pequena e fraca demais! Por favor, me tire daqui! A morte parece tão perto, é como se ela me tocasse com dedos frios, e esse toque machucasse a minha pele.
Então eu grito e imploro por socorro, uma luz forte aparece e me cega por alguns instantes, e os dedos frios da morte já não conseguem me alcançar. Alguém segura a minha mão, seu brilho é tão grande que eu mal posso ver seu rosto, só sei que esse alguém me trouxe paz. Meu medo da morte se foi, eu ainda sinto as gotas aquecidas de lágrimas em meu rosto, que agora é iluminado por um raio de luz, pelo sorriso desse alguém que me deu a mão. Agora eu me sinto em paz, me sinto no paraíso.

Memórias do que nunca aconteceu.


Nunca pensei em viver muito. Nunca me imaginei com mais de trinta anos porque sempre achei que a tendência era as coisas piorarem... Até te conhecer.
Com você eu viveria o tempo que fosse, veríamos os anos passando juntos, nos casaríamos ainda jovens e ficaríamos unidos até o fim. Com você eu construiria sonhos e nos divertiríamos das formas mais bizarras possíveis. Seriamos duas crianças grandes roubando carrinhos de supermercados. Talvez você me ensinasse a subir em árvores altas, talvez pudéssemos morar num trailer e viajaríamos o mundo com ele.
Eu te acordaria no meio da madrugada pra comprar sorvete e acordaríamos assistindo seriados bobos.
Eu te amaria a cada instante e te ver sorrir seria o único motivo da minha existência.
Um dia teríamos filhos, primeiro um menino, foi o que sempre planejamos. Você o ensinaria a ouvir Iron Maden e tocar piano, eu o ensinaria a ouvir Debussy e tocar guitarra. Sim, nossa vida seria um monte de contradições, mas seríamos felizes. Nosso filho iria pra escola aos cinco anos com uma camiseta do Ramones e eu faria aquele moicano no cabelinho liso dele enquanto você observaria a cena rindo com o olhar repleto de alegria.
E continuaríamos juntos.
Comendo besteiras nos finais de semana e falando da vida sem deixar tudo cair na rotina. Deitaríamos na calçada como antes, só nós dois pra ver as estrelas no céu. Eu te ouviria dizer que me ama. E eu te beijaria todos os dias como se fosse a primeira e a última vez. Lutaria pela vida com uma força sem igual, seria grata e até teria fé, porque o “NÓS” seria um milagre.
Envelheceríamos juntos e eu te chamaria de “velho rabugento” só pra te encher, porque tenho certeza que mesmo com cinqüenta e muitos anos, você ainda seria incrível. Eu te levaria café na cama e esperaríamos nossos filhos saírem de casa pra ligar o som bem alto. Se fizéssemos isso na presença deles, pensariam: “Que velhos malucos!”
Então, em 2061 tudo estaria bem. Estaríamos juntos, veríamos o cometa Halley no céu, abraçados, pensaríamos em fazer um pedido, mas no fim de tudo chegaríamos a uma única indagação: “Pedir o quê se já tivemos muito mais do que qualquer ser humano sonha em ter?”