sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cinzas ao vento

Enquanto encaro o espelho, vejo-me como um trapo
Pano qualquer em um simples remendo desgasto com o tempo;
Escasso, velho, tecido qualquer.

São cinzas ao vento de fumo tragado por um povo amargo
E de tão pouco amado, entorpecido tornou-se.
Esquecido, massacrado, sujo, insano.

Folhas rasgadas nas quais choro as magoas por quem nunca me amou.
Vida ingrata! Pudera eu matar a distancia entre a dor do meu pranto e a beleza do teu canto!
Agora, limito-me a sonhar.

E as flores jogadas pelo caminho traçam teu rumo
Jornada ao paraíso em que vive sem mim.
Se ao menos lembrasses do tempo em que me amastes,
Memórias que guardastes em algum coração.

Somos cinzas ao vento de fumo tragado por um povo amargo
E tão pouco amado que entorpecido tornou-se.
Somos lágrimas de quem um dia se atrevera a matar o sonho.
Era uma vez uma moça bonita, uma rosa e um tímido rapaz risonho.

terça-feira, 19 de abril de 2011

When I grow older, I will be there...

... at your side to remind you how I still love you. ♫


"Quando eu estiver velho, eu estarei lá, do seu lado pra lembrar o quanto eu ainda amo você." ♥


Sonhos de bolso.


Antes eu queria coisas tão complexas - analisando humanamente -, e hoje o que quero, me parece simples. Não é pouco, mas é uma simplicidade surpreendentemente perfeita e completa. Meus sonhos são tão pequenos que cabem numa caixinha de fósforo. São compactos, consigo guardar no bolso. Tento escrever meu manual de como fazer a quem amo feliz, mas às vezes escrevo com tanta euforia que na hora de ler não entendo, erro, machuco. Aí não me resta outra alternativa que não seja reescrever. Faço com calma, em forma de poesia que leio para alguém ninar. Ela é a minha pequena, que seguro nos braços e tenho medo de soltar, pois não quero que o mundo a destrua. Posso te tirar pra dançar agora? Tem um jardim lindo bem logo à frente. Não temos música, mas eu posso cantar pra você. Até tiro meus sonhos do bolso e te mostro, pra você eu mostro, só pra você. É claro que vou cobrar algo, mas desde que você sorria, já é o bastante pra me pagar.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Tudo está perdido, mas existem possibilidades (...)

Era aquele jeito singular dela de acordar cedo, fumar escondida no banheiro enquanto todos dormem. Depois era se esconder na fumaça, tomar um banho e cantar em frente ao espelho balançando os cabelos molhados e dançar ao som de sereníssima. Bom e velho Renato Russo! Os passos fora do ritmo dela me encantavam. "Há jeito para tudo, basta acreditar."
Tão errada e tão correta... Isabela.

'Cause the hardest part of this is leaving you.

Suas dores continuam também sendo minhas. Tanto tempo se passou! Mas as vezes penso que o tempo seja só uma forma de camuflar tanta vida perdida. É mais fácil matar tudo do que lutar, não é? Tudo depende do quanto você acredita.
Eu custo a entender o por quê a mente humana precisa de lembranças e cenas pra sentir o que o outro sente. Talvez enfeitar isso com palavras complexas seja uma forma de atingir coraçoes de pedra. Sendo assim, aí vai uma: Amor. Quer palavra mais complexa que essa? Existe não. Ninguém ainda entendeu. Você só sente. Às vezes sente com com calma, com eternidade de segundos. Tem gosto doce de saudade boa, entendes? Outras vezes o amor vem como uma espada cravada no teu peito. Tem gosto amargo, forte e com um gole te embreaga. É como o que eu sinto agora. O som da tua voz rouca ainda me incendeia a alma. Ainda deixa aquele nó na garganta e, que maldito nó!
Deixe-me viver, se ainda há alguma vida em mim. Se tivesses lutado... Mas temos que nos conformar com a inércia de um massante "se". Nós somos um "se", somos também aquela triste canção em "Si bemol". É, sempre.